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Caminhando

Caminho de Fátima: Pinheiro da Bemposta – Águeda – Mealhada - Coimbra

Dia 10 de junho de 2017 é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses, sendo também para os AMUT’eiros o dia de retomar o Caminho de Fátima. Às 6h15 o autocarro, cedido gentilmente pela Câmara Municipal de Gondomar, estava repleto, assim como a carrinha da AMUT, que serviria de apoio durante a etapa com início em Pinheiro da Bemposta e término em Águeda.

Uma viagem de cerca de 1 hora para percorrer um pouco mais que 50 km que deu para ativar o espírito de peregrino, relembrar as estórias vividas por cada um ao longo das etapas anteriores e montar a estratégia para chegar a Águeda com ânimo.

O ponto de partida foi o Largo do Cruzeiro, em Pinheiro da Bemposta, junto a uma pastelaria onde muitos dos AMUT’eiros, ainda em jejum, aproveitaram para tomar o pequeno-almoço com a rapidez possível dado o tamanho do grupo. Conforme iam terminando, juntavam-se nos degraus para o normal registo fotográfico inicial do grupo.

Com previsões de céu limpo e temperaturas elevadas, todos os minutos contavam para evitar o calor. Partimos pela estreita rua de São Lazaro até à velha e desativada linha do caminho-de-ferro. Um pequeno engano no trajeto não fez desanimar os peregrinos, que corrigiram a direção galgando as travessas entre carris, abandonando-as mais à frente, mas não deixando de caminhar paralelo à linha durante vários quilómetros. Passamos por pequenos povoados, campos de cultivo, caminhos por entre bouças onde fomos surpreendidos por uma coluna de dezenas de viaturas todo o terreno que circulavam a baixa velocidade, não evitando, mesmo assim, uma grande nuvem de pó, e obrigando os peregrinos a protegerem-se com lenços.

Seguindo o caminho, alcançamos mais uma povoação, já com a garganta seca pelo calor que se fazia sentir e a quantidade de poeira pelos veículos durante a travessia do caminho florestal, onde se fez uma paragem estratégica para reposição de líquidos e pela hora lá se acompanhou com uma “sandocha”.

A previsão da paragem para almoço era Lamas de Vouga, pequena localidade a 8 km do final da nossa etapa, mas por informação errada percorremos cerca de 2,2 km na estrada N1, debaixo de calor intenso, e toma lá que é “Democrata”! Um restaurante de beira de estrada serviu para atenuar o calor do alcatrão e comer e beber alguma coisa, repondo as perdas de energia naquele momento já bem em baixo.

Alguns AMUT’eiros, que tinham trazido o picnic de casa, optaram por um lugar bem agradável junto ao rio com bancos e mesas protegidos por belas e refrescantes árvores.

Retomamos o caminho que nos levou até Águeda, através de troços florestais, rurais e ruelas, ficando gravada a Rua da Liberdade, zona industrial, Rua Vale de Erva e a Rua Carmeleiras de Baixo. Continuando até desaguar na rua da Bela Vista na margem do Rio Águeda, ai faltavam uns metros pela Rua 5 de outubro para atingir o Jardim do Cais das Laranjeiras, onde nos esperava uma vasta oferta de esplanadas e o encontro de todos os AMUT’eiros peregrinos. Foi tempo de confraternizar até à hora do toque para a ocupação dos lugares no autocarro de regresso até Gondomar, já a pensar na recuperação física para o dia seguinte.

Em Gondomar, “um até já” e rapidamente seguimos em ao aconchego do lar para usufruir do lugar mágico que temos; a nossa casa, objetos e familiares.  

 

Com encontro marcado novamente para as 6h15, junto à Câmara Municipal de Gondomar, ainda faltavam alguns minutos e o autocarro já estava quase completo aguardando o sinal de partida. Sentia-se a ansiedade de começar a caminhar aproveitando a frescura da manhã.

Depois de cerca de uma hora de viagem, chegamos à zona Ribeirinha de Águeda, ainda com o estômago vazio. Invadimos as várias confeitarias e cafés abertos àquela hora da manhã, para a primeira refeição do dia, preparando-nos para os cerca de 25 km da etapa.

Já mais despertos, juntamo-nos na margem do rio Águeda para a tradicional foto de grupo, aproveitando a neblina, a proximidade da ponte e o colorido das nossas vestes dando outro contraste ao registo.

Aproveitando a frescura da manhã, pusemos pés a caminho atravessando a ponte sobre o rio Águeda, um túnel, uma ponte de madeira e uma ruela por entre casas, algumas com uma arquitetura peculiar que nos despertou a curiosidade, até atingir a Estrada Nacional e depararmo-nos com uma subida digna de músculos rijos que nos levou até à entrada do caminho florestal tão do agrado dos AMUT’eiros.

Foram-se sucedendo os quilómetros que ultrapassamos com destreza, não tivéssemos já o somatório de cerca de 100km nas pernas, estávamos aqui já próximos do meio do Caminho que nos propusemos fazer até Fátima.

A beleza do caminho está nos acontecimentos imprevistos que retemos na memória. Um bebé corvo poisou nas costas de um AMUT’eiro que inicialmente se assustou mas que, de imediato, se recompôs tomando consciência das necessidades da cria que o tinha escolhido para “mãe provisória”. Deu-lhe água, fez uma papa com bolachas que “chegou ao bico da cria” com a ponta dos dedos. Ela, com as suas belas penas negras luzidias, utilizando o braço do Benjamim como poleiro, indiferente à multidão em redor, esfomeada, comeu como se não houvesse amanhã. Terminou o convívio com a devolução à natureza, pousando ternamente o bebé corvo num ramo de azinheira, todos se despedindo dela, com alguma tristeza por não saber o que lhe iria acontecer.

O caminho continuou somando outros episódios inesquecíveis, como aquele grupo de ciclistas que passou e que cumprimentamos alegremente, aplaudindo-nos mutuamente. Como a confraternização com pessoas nos cafés onde paramos, as conversas mantidas com pessoas das terrinhas que gostam de saber o porquê da opção do trajeto que seguimos em vez do Caminho tradicional pela Estrada Nacional. Como o encorajamento permanente de todos – “Boa Viagem”. Como o refrescar dos pés nos tanques ou bicas de água e acima de tudo, como o convívio alegre entre os peregrinos ao longo de todo o dia.

A aproximação do meio-dia e o aumento da temperatura, os cerca de 30ºC que se faziam sentir, causavam efeitos pesados nos peregrinos. Enquanto no pelotão da frente se propuseram fazer o que faltavam da etapa até à Mealhada e aí almoçarem, os de trás, à passagem pela Anadia, optaram por uma paragem para almoço retemperador, deixar abrandar a temperatura e fazerem os restantes 8 km sem tanto custo.

Finalmente todos os AMUT’eiros se reuniram na Mealhada, depois da confraternização feita entre todos pelo êxito de conseguir atingir o objetivo. Embarcamos no autocarro que nos trouxe de volta a Gondomar e assim ficou encerrado mais um fim-de-semana de caminhos de Fátima.

No sábado 1 de julho, às 6h00, os peregrinos AMUT’eiros voltaram a encontrar-se junto ao Município de Gondomar para a etapa de Mealhada Coimbra. Uma viagem de autocarro de aproximadamente 1h15 entre Gondomar e Mealhada, onde pudemos ir ao encontro dos vários cafés e confeitarias para o sempre desejado pequeno-almoço, antes de uma etapa com pouca oferta de re-abastecimento.

Este percurso desenrolou-se por caminhos rurais, florestais e estradas interiores de vilas. Podemos testemunhar a grande azáfama das gentes das terras, nos enfeites junto às capelas e igrejas para as celebrações e festas tão característica desta época do ano.

Os caminhos rurais deixaram o desejo de provar as muitas frutas que já ali espreitavam mas que ainda estavam verdes e mesmo na floresta as silvas carregadas de amoras não apresentavam a maturidade para serem comidas.

O caminho foi vivido sem grande dificuldade, o tempo ajudou com temperaturas amenas. Os lugares próprios de meios pequenos tornaram o percurso agradável. Atingindo aproximadamente os 20 km, alcançamos a Adega do Leite, pequeno restaurante onde uma parte do grupo decidiu almoçar, refazendo-se para os restantes quilómetros até Coimbra. Outros optaram por piquenicar em lugares frescos e agradáveis.

O que restava do percurso foi feito na margem do Rio Velho, que calcorreamos até à margem do Rio Mondego. A aproximação deu-nos uma agradável sensação de frescura nos corpos esquentados pelo sol e pelo esforço despendido.

O encontro foi feito nas várias esplanadas existentes frente ao Parque Verde e um pouco antes do Portugal dos Pequenitos. Os primeiros a chegar tiveram tempo, antes do reagrupamento de fazer uma visita ao Portugal dos Pequenitos e mesmo verem as muitas velharias da feira de antiguidades a decorrer no Parque Verde.

À hora prevista, acomodamo-nos no autocarro, cedido pela Câmara Municipal de Gondomar e fizemos o regresso sem sobressaltos até Gondomar. 

O registo fotográfico dos AMUT’eiros desta vez foi frente à Câmara Municipal de Gondomar, sendo esta a última etapa antes de iniciarmos os 5 dias de Caminho seguidos. Alguns dos peregrinos que nos acompanharam até aqui iriam nos seguir agora através das redes socais e levá-los-íamos nos nossos corações. A partir de Coimbra caminharemos 110 km, em dias consecutivos, entre os dias 9 e 12 de julho.

Terminou mais uma aventura com espírito de grupo, muita alegria, companheirismo, cumplicidade, diversidade e já com a ansiedade de nova partida.