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Caminhando

VIII Trilho Rota dos Espigueiros - Fafe

A última caminhada AMUT’Caminhando de 2017 “fora de portas”, iniciou-se com sessenta AMUT`eiros a comparecerem, sem receio das previsões metrológicas de chuva, frente à Câmara Municipal de Gondomar para, de autocarro e na carrinha da AMUT, fazerem a viagem até ao centro de Fafe e aí fazer a paragem técnica para o sempre desejado pequeno-almoço antes da aventura deste dia.

 

Após uma viagem de perto de uma hora e outra hora para a primeira refeição da manhã, regressamos ao autocarro para seguir até ao local de partida da caminhada. Percorremos os 15 km entre a cidade de Fafe e a freguesia de Várzea Cova, onde paramos junto à sua linda (embora fechada) igreja paroquial e aí iniciarmos a Rota dos Espigueiros. Cumprida a fotografia de grupo começamos a caminhar sob uma luz cinzenta, própria de um dia de outono.

 

A chuva miudinha fez o seu aparecimento enquanto serpenteávamos pelas vielas da aldeia, de onde pudemos avistar os primeiros magníficos espigueiros e uma deslumbrante paisagem composta de casas graníticas, campos verdejantes e montanhas ao longe. Os AMUT`eiros protegidos pelos equipamentos impermeáveis de várias cores, a contrastar com os verdes dos musgos das paredes, os amarelos e vermelhos das folhas e o castanho dos troncos das árvores, o cinzento do céu e das casas graníticas, criavam um quadro digno de um pintor famoso.  

 

Na passagem pelas últimas casas antes de penetrar no caminho por entre campos, alguns caminheiros surpreenderam-se com a beleza de um alpendre de uma casa rural com eira e um espigueiro gigante em perfeito estado de conservação. Mas a surpresa ainda estava para chegar, apanhados de surpresa, os AMUT’eiros deram de frente com o casal septuagenário, proprietário de tão belo lugar, que estava a cuidar, carinhosamente, de dois cordeirinhos acabados de nascer. Ainda trôpegos, ensanguentados e de cordão umbilical “dependurado”, uma tentava chegar às tetas da mãe enquanto a outra pedia-lhe carinho. Esta, embora combalida pelo esforço do parto, colaborava pacientemente. A dona da casa, de saber acumulado, já tinha retirado manualmente leite da ovelha para um biberão por forma a ajudar mãe e filhos nestas primeiras horas de vida… Os poucos AMUT`eiros que tiveram o privilégio de assistir a este acontecimento, ficaram felizes por mais esta experiência proporcionada pelo caminho.

 

Saímos da aldeia e entramos em caminhos rurais, galgando sobre um tapete colorido de folhas de castanheiro, lindo de ver! Ainda houve tempo para umas picadelas nas mãos ao retirar castanhas bem saborosas dos ouriços caídos pelo chão.

 

Continuamos o caminho e mais à frente, junto ao parque de merendas passamos por uma ponte romana, sobre uma ribeira de águas límpidas, que serviu para belos registos fotográficos, já com o sol a aparecer timidamente, criando uma luminosidade fabulosa num cenário já por si magnífico.

 

Continuamos à descoberta da flora, história e das tradições rurais deste trilho maravilhoso. Passeamos por um bosque de carvalhos, nesta altura do ano já meios despidos, facilitando a penetração dos raios de Sol e tornando mais visíveis os musgos pendurados nos troncos e pedras que formavam os limites das propriedades. A cultura agrícola de centenas de anos por estes lugares vai-se revelando através da grande variedade de espigueiros em tamanhos e materiais, alguns muito bem conservados, bem como belos exemplares de casas em pedra com arquitetura tradicional, notando-se, por isso, a vontade de preservar o património.

 

Somos testemunhas da tradição, ao contactar com os habitantes das aldeias por onde passamos, da atividade agrícola e pecuária destes lugares. Nas conversas mantidas com residente dos lugarejos, registamos os seguintes apontamentos; “por que vêm de uma terra tão bonita para aqui que só temos árvores e rochas?”… Dizer de uma senhora, septuagenária, dona de uma mercearia/café, que abriu propositadamente para nos saciar a sede.

 

Todo o percurso foi um regalo para os olhos, dos pontos mais altos por onde passávamos, pudemos avistar longas paisagens de campos agrícolas rodeados de montanhas rochosas, que emprestam à paisagem um quadro vivo e harmonioso. E neste contexto, alcançamos o ponto de partida, que também era de chegada: a igreja paroquial de Várzea Cova.

Regressamos ao centro da cidade de Fafe para o almoço. Alguns optaram pelos restaurantes de Fafe e outros por um magnífico pic-nic, onde não faltou nada, desde chouriça assada na hora, a bifanas, pão, sobremesas, tudo bem regado de tudo o que mais se gosta.

 

Eram 17h00, o Sol já se tinha retirado e o motor do autocarro fazia-se ouvir, após nos certificarmos que ninguém ficava em terra, partimos em direção a Gondomar, de almas renovadas, corpos oxigenados e aquele brilhozinho nos olhos de gente feliz e que deu por bem empregue o dia de convívio com a natureza e a família AMUT`eira.

 

O regresso aconteceu de maneira harmoniosa e rápida, ficando o desejo de um novo encontro, que será a última caminhada do ano, com destino para a cidade do Porto, como já vem sendo tradição, para fechar o Plano AMUT’Caminhando 2017.