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Área Reservada
Caminhando

AMUT'Férias

Dia 12 de agosto de 2017, a AMUT`Caminhando deu início a uma nova proposta para a melhoria da qualidade de vida dos seus associados, familiares e amigos: o AMUT`Férias. Durante 4 dias um grupo de meia centena de AMUT`eiros partiu da Câmara Municipal de Gondomar, às 7h00, com destino a Seia, ansiosos por viver as aventuras que lhes estavam reservadas, com uma grande vontade de desfrutarem da emblemática e surpreendente Serra da Estrela no verão e que todos associam mais à neve e à sua beleza branca e fria.

A viagem teve uma paragem em Cambra, Vouzela, onde após o pequeno-almoço, iniciamos o percurso no Largo do Cruzeiro bem junto a um dos ex-líbris, o imponente brasão do solar de Cambra, uma casa oitocentista com capela, onde se registou a primeira foto de grupo.

O percurso iniciou mesmo ali, passando pela igreja matriz forrada de azulejos azuis entre as torres brancas que suportam os sinos, seguindo por caminhos empedrados, quelhas tão estreitas que só passava uma pessoa de cada vez, paredes que as ladeiam cobertas de musgos que confirmavam a presença de muita humidade e não demorou muito até termos de atravessar um curso de água por cima de uma ponte (poldras) já gasta de tantos anos a ser atravessada. Continuando o caminho por entre o cinzento de casas graníticas, alcançamos o ex-líbris da freguesia de Cambra de Baixo: a sua Torre Medieval. Uma muralha em granito, no centro do Parque de Lazer Espírito Santo, uma Capela com o mesmo nome, churrasqueiras, mesas em madeira e em pedra, parque infantil, um bom relvado e uma represa no rio Couto onde se poderia tomar banho não fosse o pouco caudal tornando as suas água menos limpas.

Seguindo no trilho, muito diversificado, podemos observar a Cova do Lobisomem que, diz a lenda, era um enorme monstro peludo que se refugiava do olhar dos humanos por estas bandas. Seguindo o caminho por entre calçadas e carreiros, podemos encontrar, amiúde, alminhas encrostadas em casas e muros e até um aqueduto em granito, no topo de uma parede com cerca de dois metros, também ela em pedra.

Ainda durante o trajeto deliciamo-nos com os rios Couto e Alfusqueiro, dando mais frescura e alegria do verde da flora. As atividades agrícolas, principalmente da cultura de milho, vinha e árvores de fruta, que nesta altura do ano estão quase prontas a colher, fazem crescer água na boca. A floresta ribeirinha também atraía a atenção pela sua beleza e tornava a paisagem inesquecível. 

Terminamos o percurso no mesmo lugar onde o começamos. Os que optaram pelo picnic foram de autocarro até ao parque de merendas, situado junto à Torre Medieval, usufruindo do espaço fresco na margem do rio, com boa relva e com direito a música de um prefabricado de venda de bebidas, café e gelados. Enquanto se deliciavam com o farnel pré-concebido em casa, os restantes optaram por uma refeição quente no Restaurante Palmeiras.

Recompostos com as vitaminas proporcionadas pelo almoço, partiu-se em direção à Quinta do Crestelo, quartel-general durante a nossa estada por terras serranas. Situada à entrada de Seia, ofereceu uma excelente oferta de serviços e conforto e, foi a partir daí que partimos e chegamos todos os dias das visitas e passeios.

Depois do check-in e instalados nos aposentos, era hora de um bom mergulho na piscina, para retemperar o corpo mirrado pelo calor, pelo cansaço da caminhada e da viagem de autocarro.

Seguiu-se o jantar, proporcionando uma alegre cavaqueira bem como o melhor conhecimento dos que pela primeira vez se juntaram aos AMUT’eiros para participar nestas mini férias.

Antes de recolher aos quartos ainda houve tempo para um reconhecimento aos espaços envolventes ou, para alguns, um passeio até ao centro de Seia para aproveitar as festas da cidade.

O domingo nasceu soalheiro e quente, o acordar foi a ritmo lento e um pequeno-almoço pausado, afinal estávamos de férias e a hora de partida do autocarro que nos levou a conhecer alguns dos recantos agrestes mas belos, estava marcada para 10h00, com um dia que se adivinhava recheado.

Chegada a hora da partida e todos nos seus lugares, percorremos as estradas estreitas sinuosas que nos levaram até ao Vale do Rossim, situado nas Penhas Douradas a uma altitude de 1.437 metros, no maior vale glaciar da europa. Uma barragem transformou um vale de passagem periódico dos rebanhos da planície para as montanhas, num grande espelho de água, que é utilizado pelos turistas para a prática de desportos aquáticos, simplesmente para relaxar ou para uns mergulhos refrescantes nas suas águas frias e limpas. A nossa presença nesta bela paisagem, agora praia fluvial, situada a maior altitude, foi curta, só o tempo necessário para um passeio, uns registo fotográficos e aproveitada para uma ida ao bar de apoio para se refrigerar com líquidos.

De novo no autocarro, agora com destino a Manteigas feito por caminhos acidentado, mas com muita vegetação dando frescura bem apreciada pelos passageiros, a velocidade era lenta o que proporcionou uma visão mais atenta da paisagem. À chegada a Manteigas o calor fazia-se sentir, não convidava a grandes passeios, optamos por almoçar e assim fugir ao período mais quente do dia.

Reunidos, seguimos viagem para o Covão d´Ametade, o percurso revelou-se algo complicado, a estrada era demasiado estreita para a passagem do autocarro com qualquer veículo ligeiro… Era como se de uma dança se tratasse: ora recuo eu até uma escapatória (pouco frequentes), ora recuas tu. Aliviados pela chegada, entramos numa cavidade, lugar considerado por muitos como um cenário paradisíaco, carregado de sentimento bucólico e poético. Entorno daquela depressão de origem glaciar erguem-se três Cântaros: o Cântaro Raso, mais a sul; o Cântaro Magro, central e emblemático de toda a Serra da Estrela; e o Cântaro Gordo, a norte.

É no Covão d´Ametade que o rio Zêzere começa a ter expressão, embora a sua nascente seja mesmo junto à torre, deslizando pela encosta abaixo e dali parte com nome de rio fazendo o seu percurso até desaguar no rio Tejo, em Constança.

O lugar tem magia, beleza e frescura, arborizado nas margens do que seria o rio Zêzere com vidoeiros, prestando um aspeto de póster.

Seguindo viagem Serra acima até ao pico mais alto de Portugal, a Torre da Serra da Estrela, corria uma agradável brisa refrescante, convidando a esticar os músculos maçados do calor e da viagem, bem como a maravilhar-se com a imensidão e imponência da paisagem que dali se podia avistar. Após uma bebida bem fresca humedecendo as gargantas antes de regressarmos para o nosso quartel-general: a reconfortante Quinta do Crestelo.

Um domingo cheio, que terminou no jantar com todos a partilhar os momentos vividos e o relaxamento que antecedeu ao descanso na tranquilidade do lugar.

O nascer do dia de segunda-feira mostrava que não havia grandes alterações atmosféricas, o sol e o calor eram companhia a ter em conta e convidavam a lugares frescos e, se possível, com água.

A volta a Portugal em bicicleta passava mesmo em frente à Quinta do Crestelo no início da tarde o que nos trocou as voltas. Nestes eventos as estradas são cortadas antecipadamente! Para evitar ficar presos algures, juntando-se à vontade expressa de alguns de assistir à passagem dos ciclistas, foi aprovado ‘dia livre’ pelo grupo.

Assim foi, os aficionados da ‘Volta’ escolheram os mais variados locais, de diferentes graus de dificuldade, para os atletas e espalharam-se por toda a cidade de Seia. O tempo de espera foi gasto em visitas a pontos de interesse no interior da cidade e, enquanto isso foi-se escolhendo o local para o almoço, para degustar os pratos mais característicos da região.

O regresso ao quartel-general aconteceu mais cedo, as ofertas de lazer eram muitas e, principalmente, a frescura da piscina pesou muito na escolha dado o calor que se fazia sentir. Outros queriam aproveitar para repor a leitura em dia e folhear os livros que há muito esperavam ter tempo para ler.

Mas um dos melhores momentos do dia ocorreu durante o jantar, um dueto de concertinas entrou mal iniciamos a refeição. Num diálogo acalorado entre as duas bonitas e enérgicas caixas hexagonais, o duo juntou sua voz e, com letras a referenciar o grupo e suas origens, geraram emoções, gargalhadas e palmas. Os artistas deixavam-se entusiasmar, respondendo com determinação e criatividade à alegria dos AMUT’eiros. Era visível a vontade de dançar, mas a refeição prendia à mesa e era a última que lá faríamos.

Concluída a degustação, o AMUT`eiro Júlio Fontes, como se em vez de pernas tivesse molas, saltou para a pista e logo teve acompanhantes para uns passinhos de dança, só o cansaço o fazia ir ao exterior para ganhar fôlego, voltando de imediato ao recinto para partilhar os seus dotes de dançarino.

A festa durou “até às tantas”, não faltou o já famoso “apita ao comboio” com a participação em massa e a também conhecida roda - roda para a direita, roda, roda para a esquerda, agora vai ao centro e vai para fora e volta a roda… foi um final de grande alegria e convívio.

O nosso muito obrigado ao Sr. Martinho (proprietário da Quinta do Crestelo) e ao seu companheiro de concertina pelos maravilhosos momentos proporcionados.

Na terça-feira, dia 15 de agosto, feriado em honra a N.ª S.ª da Assunção, era dia de regresso. Conforme previsto, às 10h00, o motor do autocarro fez-se ouvir, os AMUT`eiros, com o pequeno-almoço tomado, ocuparam os seus lugares após colocarem as suas bagagens no porão. Antes da partida, compareceu com a sua tão apreciada gentileza, o Sr. Martinho, que fez questão de se despedir e agradecer a forma como pautamos a nossa estada.

Saímos rumo à praia fluvial de Loriga, praia de águas frias e límpidas vindas do cimo da serra e retidas por represas humanas, criando várias piscinas de fazer a delícia dos visitantes, num lugar fascinante e belo.

Após almoço na simpática, limpa e arrumada vila de Loriga, tomamos o caminho de casa, que voltou a passar por Seia para um adeus e até breve à Quinta do Crestelo.

Percorremos o restante percurso num misto de saudade e nostalgia… Saudade da nossa casa e amigos, nostálgicos por estar no fim as mini férias.

Já em Gondomar, agrupamo-nos em frente à Camara Municipal para a última foto de grupo, carregados de boas recordações, emoções e muita alegria.

O próximo encontro da Família AMUT’eira é já no próximo dia 16 de setembro, que nos levará até Mortágua e às caminhadas mensais.