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Área Reservada
Caminhando

Miranda do Douro

Era bem cedinho, no sábado 18 de junho de 2016, ainda não tinham batido as seis da manhã, quando a Câmara Municipal de Gondomar começou a avistar os primeiros AMUT’eiros que se reuniam para seguir para a extremidade mais a nordeste do nosso Portugal. O objetivo era seguir para “Mirar Miranda do Douro”.

Feita a chamada de todos os inscritos, saímos pouco depois das seis horas, para uma viagem que nos levaria a uma primeira paragem, cerca duas horas depois da partida, em Alfandega da Fé, para consolar as barriguinhas já famintas por um revigorante pequeno-almoço. A única pastelaria local, aberta àquela hora, aguardava a visita destes visitantes esfomeados, apresentando uma quantidade e multiplicidade incrível de pastéis e pães deliciosos, que rapidamente a todos saciaram.

Retomamos a nossa viagem, já passava das oito e meia, e ainda nos aguardava mais uma hora de viagem.

O nosso guia, mirandês de coração, o AMUT’eiro Jorge Soares, guiou o motorista até bem perto do Miradouro da Paradela, para iniciarmos as nossas aventuras. Caminhando por cerca de dois quilómetros, alcançamos o primeiro local de deslumbramento para os olhos, as vistas panorâmicas no ponto mais a nordeste de Portugal, junto à Barragem espanhola Presa de Castro. Perante nós, a uma altura impressionante, avistamos as arribas que abraçam o sinuoso Rio Douro, que desliza, livremente, até ser interrompido pela mão humana, nesta obra de engenharia impressionante. O deslumbramento é tal que todos ficam boquiabertos com a imensidão que a vista alcança e com a pequenez do ser humano face a tanta beleza natural.

Regressamos ao autocarro e, dado o adiantar da hora (já pouco faltava para o bater das doze baladas do almoço), após votação da Assembleia de AMUT’eiros presentes, optou-se por não cumprir a planeada caminhada de cerca de nove quilómetros previstos para a parte da manhã e seguir de imediato, de autocarro, para a Casa do Povo de Aldeia Nova, para partilhar as delícias trazidas por cada um para o picnic.

Após a reposição das energias e a partilha das iguarias, alguns foram visitar o Castro S. João das Arribas, outros preferiram aguardar o regresso destes mais corajosos para decidir se fariam a caminhada da tarde ou se regressariam de autocarro diretamente para o Hotel.

Mais uma vez, as paisagens que se avistam no Castro são absolutamente arrebatadoras. As máquinas fotográficas não param de disparar perante a beleza do que se apresenta perante nós. Mas as câmaras fotográficas têm muita dificuldade em captar esta imensidão e tamanha amplitude. Ficam na memória de quem esteve por ali.

Regressando ao local do picnic, atendendo ao calor abrasador que se fazia sentir, muitos foram os que optaram por não fazer a caminhada da tarde e seguir diretamente para o Centro de Miranda do Douro.

Os AMUT’eiros mais “obsessivos” seguiram o trilho marcado e que bem fizeram! Um percurso de rara beleza em que as sombras das árvores iam esporadicamente protegendo os caminheiros do calor tórrido que se fazia sentir. Os passarinhos a acompanhar com seus cantos alegres aligeiravam o cansaço.

Entramos serenamente em Miranda do Douro com uma breve paragem nas esplanadas dos cafés que nos convidavam a refrescarmo-nos diante uma bebida geladinha, repleta de sais minerais, uns tremoços e uns “minuins”. Ficou a promessa de ao final da noite regressar para uns passinhos de dança ao som da música dos anos 80.

Era hora de retomar caminho para aproveitar o tempo que restava antes do encontro para o jantar, para conhecer o lindo Centro Histórico desta fantástica cidade e ainda tomar um banhinho refrescante.

Pelas 20 horas, o grupo encontrou-se no Hall do Hotel e seguiu para o Restaurante para se lambuzar com a tradicional, famosa e suculenta “Posta Mirandesa” ao som do relato do jogo Portugal – Áustria que, apesar de todos os presentes enviarem energia positiva, não passou de um empate a zero golos.

A noite já estava bem adiantada quando o jantar se terminou e os convivas resolveram aproveitar para uns últimos passinhos pelo centro histórico de Miranda, onde, para surpresa e alegria, nos maravilhamos com as danças tradicionais dos ranchos folclóricos locais. 

O João Pestana foi chamando à atenção da hora tardia e foram muitos os que resolveram seguir para os quartos de forma a recuperar de um dia bem recheado de boa disposição e beleza, enquanto outros optaram por cumprir a promessa do final da tarde e regressar ao café onde já se dançava aos ritmos felizes das músicas da juventude de muitos dos presentes. Já os pés não aguentavam, quando quase todos seguiram também para os seus aposentos… Quase todos… Alguns, ainda com energia para dar e vender, resolveram ir conhecer mais uma discoteca local, onde aproveitaram para conviver e dançar mais um pouco.

No domingo, eram 9 horas e, paulatinamente, os AMUT’eiros foram aparecendo na sala do pequeno-almoço do Hotel; alguns frescos e airosos, outros bastante mais ensonados… em função do quantidade e qualidade das horas de descanso de cada um.

Pelas 10 horas, o autocarro deixou o Hotel para seguirmos para uma das Aldeias de Portugal: Picote.

 Aqui os caminheiros foram recebidos pelos representantes da FRAUGA - Associação para o Desenvolvimento Integrado de Picote. Esta aldeia, pertencente ao concelho de Miranda do Douro, ergue-se sobranceira ao Douro e integra o Parque Natural do Douro Internacional. Para além das explicações sobre as origens pré-históricas deste povoado, foi possível visitar o Ecomuseu da Terra de Miranda, assistir a uma pequeno filme sobre a fauna, a flora e as tradições deste local, bem como adquirir alguns produtos típicos e lembranças. Ainda houve tempo para fazer uma pequena caminhada que nos permitiu conhecer melhor esta linda aldeia, tipicamente transmontana, que preserva e protege as suas tradições, destacando-se o trabalho incansável da FRAUGA na preservação da sua língua local: o Mirandês.

Após uma manhã recheada de História, os caminheiros seguiram para o local do almoço, servido pela associação anfitriã, em que nos pudemos deliciar com pão e queijos tradicionais caseiros e mais uma posta grelhadinha na hora.

No final do repasto, os presentes foram surpreendidos com os Gaiteiros de Miranda que a todos alegraram com as suas canções acompanhadas pelas gaitas de foles e outros instrumentos musicais, construídos e tocados pelo Mestre Ângelo Arribas. Que honra conhecer um dos últimos gaiteiros (construtor destes instrumentos) de Portugal! As músicas foram-se sucedendo entrecortadas por alguma anedotas contadas em Mirandês, que muito divertiram os presentes.

Despedimo-nos dos Gaiteiros e dos nossos anfitriões, agradecendo todo o carinho e atenção que a FRAUGA teve para com os AMUT’eiros e partimos de regresso a Gondomar, onde chegamos, já perto das 21 horas.

Um fim-de-semana muito feliz, estava a chegar ao seu fim. Dois dias que encheram as almas e os corações de beleza natural, de História e de belos e numerosos momentos que ficarão para sempre nas memórias…

Uma palavra final de agradecimento ao nosso AMUT’eiro Jorge Soares, que tudo organizou e orientou no sentido de que todos pudessem conhecer melhor esta maravilhosa cidade do Nordeste transmontano.