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Área Reservada
Caminhando

III Trilho da Geira - Terras de Bouro

No sábado, 19 de março, dia do pai, começava a raiar a luz do dia, quando os sessenta e oito AMUT´eiros encheram o autocarro que os esperava, junto à Camara Municipal de Gondomar, e partiram rumo a Terras de Bouro, Gerês, cerca das 6h40.


Durante a viagem, a chuva resolveu aparecer, encarada sem grande preocupação, pois era momento para acabar o sono interrompido pelo chamamento para a aventura. Chegamos ao destino, pelas 8 horas e o estômago serviu de despertador, acusando o desejo de um rico pequeno-almoço.
O autocarro parou junto ao Restaurante Rio Homem, a poucos metros da Camara Municipal de Terras de Bouro e, como se tivessem molas nos pés, todos saltaram dos seus lugares e se dirigiram àquele estabelecimento e outras pastelarias locais para tomar o suminho, a meia de leite, o pãozinho com fiambre ou queijo, o bolito ou até mesmo um simples café.


Saciadas as necessidades, todos regressaram para o autocarro, até porque a chuva mantinha a teimosia de nos querer abençoar e, não sendo muito intensa, era certinha. A chegada do nosso guia deu o sinal de partida para o nosso destino, Capela de S. Sebastião da Geira, local de partida para a nossa caminhada.
Uma deslocação de cerca de 2 km e chegamos a um coreto, situado ao lado da capela, que serviu de resguardo para os AMUT´eiros se equiparem com os já tradicionais ponchos e outros agasalhos de chuva. Foi apresentado o nosso maravilhoso guia, o Dr. Sérgio Gonçalves e a sua “ajudante”, a jovem Ana, estagiária do Curso Superior de Turismo, que nos iriam acompanhar pelo percurso, a pedido do Exm.º Senhor Presidente da Câmara Municipal de Terras de Bouro, Dr. Joaquim Cracel, a quem a AMUT muito agradece a sua gentileza e apoio. Feitas as apresentações e recomendações, sempre uteis, partimos à aventura.


Iniciamos o percurso pelo caminho situado entre o coreto e a Capela de S. Sebastião. Quem pensava que não era possível acrescentar beleza a este lugar mágico, ficou surpreendido: o colorido das capas impermeáveis, guarda-chuvas, os sorrisos abertos deste grupo deslumbrado pela magnífica paisagem, saltando poças, regos de água e desviando-se de terrenos lamacentos, era como posar numa passarela de um recinto muito bem decorado. Os AMUT´eiros a tornarem-se a cereja no topo do bolo.


Não demorou muito até o seu entusiamo e alegria afugentar as nuvens, fazendo-as render-se. Começou então o bailado do despir os protetores da chuva e apreciar o cenário magnífico do levantar do nevoeiro e do Sol a raiar. Espalhado no espaço, acima e mesmo abaixo do nosso nível, podiam-se ver muitas nuvens brancas, dando a ilusão de montes de algodão, que contrastavam com os castanhos da vegetação rasteira, verdes das árvores persistentes, cinzentos graníticos e troncos desnuados e o azul do céu.


Prosseguimos por entre pequenos amontoados de casas típicas da região, vacas de enormes chifres, cães de vários tamanhos a anunciar a nossa passagem, capoeiros cheios de cabidelas de muitas cores e bem rechonchudas, rebanhos de ovelhas e cabras e, finalmente, a indesejável e infinita subida. Os corações amolecidos pela visão e cheiros, tiveram o seu teste, pois de imediato exigiu dos pulmões maior débito de oxigénio, mas não foi um desafio assim tão grande, encontrávamo-nos num dos maiores pulmões naturais de Portugal.


A nossa passagem no percurso pelos caminhos das aldeias, não passava despercebida aos seus habitantes que facilmente se nos dirigiam comentando: “Nunca tinha visto um grupo tão grande por estas bandas!”, e distribuíam sorrisos. Amiúde, pequenos grupos paravam para umas fotos, troca de cumprimentos ou tomar o “remédio” para a tosse que, nesta altura do ano, é bastante frequente. Este “tratamento”, que mais parece um ritual comemorativo, dado o empenho com que os “pacientes” o tomam…


Para muitos, o melhor do percurso aconteceu no final da subida que parecia não acabar! Junto a uma Cruz de Pedra que marcava o ponto mais alto do percurso. Diante de nós uma paisagem deslumbrante se espraiava, cursos de água a cortarem caminhos, cascatas, as diversas tonalidades de verdes dos musgos a cobrirem as pedras e os troncos de árvores.


Chegamos ao final do percurso no mesmo local onde tínhamos partido, sempre guiados pela sabedoria do Dr. Sérgio Gonçalves, que incansavelmente partilhou, com todos, os seus conhecimentos da flora e fauna local, de botânica e do uso medicinal das plantas que íamos encontrando, aumentando assim o significado desta nossa aventura em Terras de Bouro. Os AMUT’eiros agradeceram-lhe e despediram-se com uma grande onda de alegria.


Seguimos no autocarro de regresso ao Restaurante Rio Homem, onde fomos agradavelmente surpreendidos por gente simpática e comida excelente, quer em qualidade e quer em quantidade, deliciosas sobremesas, acompanhadas por ótimas bebidas. A repetir.


Mas era Dia do Pai e não poderíamos deixar terminar o dia sem agradecer a todos os pais presentes tudo o que fazem pelos seus filhos. Frente à Câmara Municipal de Terras de Bouro, os Pais ouviram cantar os parabéns e receberam um bombom de todos os AMUT’eiros. No final, para adoçar o dia, todos os caminheiros tiveram direito a um chupa-chupa.


Assim se fechou com chave de ouro a nossa presença naquela linda terra, regressando a Gondomar numa viagem tranquila.


Três ondas gigantes de alegria e agradecimento para o Exm.º Sr. Dr. Joaquim Carcel, Presidente da Camara Municipal de Terras de Bouro, para o guia Sr. Dr. Sérgio Gonçalves e a sua ajudante Ana, para o Sr. Antunes e a sua equipa, do Restaurante Rio Homem e, sem esquecer todos os PAIS, MÃES E FILHOS, que fazem parte deste fantástico grupo de AMUT´eiros.
Bem hajam!!!


O próximo encontro de AMUT´eiros está previsto para o dia 23 de abril, com destino às minas de Castromil, em Paredes. Em breve serão publicitados os pormenores e a ficha de inscrição.