FacebookYoutubePartilharRSS
Área Reservada
Caminhando

AMUT Porto de História - Março

No passado sábado 05 de Março 2016, os AMUT’eiros seguiram para mais um percurso AMUT’Caminhando - Porto de Histórias, guiados pela Dr.ª Maria José Ferreira.

 

O ponto de encontro dos participantes tinha sido marcado no Passeio das Virtudes, onde terá existido um cemitério judaico, até seculo XV. Por aqui passava o Rio Frio, que desaguava na bonita praia de Miragaia, então existente, no local hoje a Alfandega do Porto. A existência deste curso de água, facilitava o ritual de purificação, nos funerais judaicos, devido á obrigatoriedade de lavar os corpos, antes de os sepultar.

 

Com a expulsão dos judeus em 1496, no reinado de D. Manuel I, este local ficou completamente abandonado. No século XVII, aqui foi construída a fonte do rio frio, considerada pelos portuenses como tendo virtudes curativas, passando a ser conhecida por Fonte das Virtudes, dando nome ao local, até aos dias de hoje.

 

Seguimos em direção ao jardim João Chagas, pela Rua das Taipas, paramos na Igreja da Nossa Senhora da Vitória, onde nos esperava o Sr. Padre Agostinho Jardim e o Sr Dionísio, que gentilmente se disponibilizaram para nos acompanhar na visita guiada por esta magnífica Igreja, edificada por volta de 1539 pelo bispo D. Fr. Marcos de Lisboa e reconstruída quase na íntegra no século XVIII, por determinação do Bispo D. Frei António de Sousa.

 

Esta Igreja e o Mosteiro de S. Bento da Vitoria, foram construídos, como afirmação do Cristianismo, contra a heresia judaica, localizados no local onde outrora estiveram os judeus, com a sua sinagoga, até á sua expulsão, ou conversão forçada ao cristianismo, era a Judiaria do Olival, criada em 1386, por D. João I.

 

Esta nova judiaria, ficava entre as atuais Rua de Belmonte (a sul), a Rua das Taipas (a Oeste e Noroeste), a Cordoaria (a norte) e a Rua Ferraz (a Este).

 

Atualmente, ainda é visível, na Igreja da Vitória, na parede lateral, virada para o lindo miradouro, na confluência da Rua de S. Bento da Vitória com a Rua da Bataria da Vitória, vestígios, do Cerco do Porto (l832-34) sofrendo a igreja consideráveis estragos, pela artilharia dos miguelistas situados em Gaia. Nesta igreja, simples, com detalhes barrocos, destaca-se o retábulo-mor, cheio de horas e horas de vida da comunidade cristã. Dentro da igreja encontram-se várias imagens da Nossa Senhora, de realçar a imagem da Nossa Senhora da Vitória, esculpida pelo escultor Antonio Soares do Reis em 1874 a quem foi substituído o rosto, por ordem da confraria, supostamente para maior agrado dos paroquianos.

 

Saindo da Igreja da Nossa Senhora da Vitoria, de interesse publico, os presentes deslumbram-se com os azulejos que revestem a casa na esquina da Rua S. Miguel, os quais pertenciam à sala do Capítulo, do Mosteiro de S. Bento da Vitoria, extinto em 1834. Nessa mesma rua, foram encontrados vestígios de uma sinagoga, numa parede dupla, a Hejal ou arca santa, onde se guardam os rolos da lei judaica – a  TORA.

 

Não menos repleto de História e de lendas, é a Cordoaria, para onde os AMUT’eiros se dirigiram logo de seguida. Até ao século XIV, aqui se encontrava, num planalto fora das muralhas, o Olival do bispo, onde se instalaram os cordoeiros, até ao século XIX. Hoje, o jardim João Chagas, rodeado de edifícios emblemáticos, desde o Centro Português de Fotografia, outrora Cadeia da Relação. Também aqui se encontra o edifício da Reitoria da Universidade do Porto onde, desde o século XVII e até ao XIX, existiu o Colégio da N.ª Srª da Graça dos Meninos Órfãos do Porto. Finalmente o edifício do Palácio da justiça , no local onde até á sua demolição existiu o mercado do peixe, a Capela do Senhor do Calvário e o Hospício dos Frades Antoninos. Era uma autêntica romaria, quando se realizava  a feira de S. Miguel, até surgir a ideia de centralizar as feiras, num só mercado – O mercado do anjo, hoje a Praça de Lisboa.

 

Por aqui são vários os vestígios da muralha Fernandina, na Rua das Taipas, ao descer a Rua Dr. Barbosa de Castro, e no pátio da SAOM - Serviço de Assistência da Ordem da Malta, onde funcionou o Clube Inglês.

 

Descemos as escadas da Vitória, as antigas escadas da esnoga, parando perto da caixa de toque de incêndio, adossada à parede lateral da Igreja da Nª Srª da Vitória, rumo à Rua de Belmonte, antiga Rua de S. Domingos. Sempre em percurso descendente pelas escadas do caminho novo, passamos pelo Palacete de Belomonte (ou de Belmonte da família dos Pacheco Pereira, hoje núcleos da Escola Superior Artística do Porto).

 

Já no largo de S. João Novo, vemos o Palacete João Novo, há anos a ser restaurados, a igreja de S. João Novo, adossada ao antigo convento dos frades Eremitas Calçados de Santo Agostinho, onde hoje se encontra o Tribunal Criminal de São João Novo.

 

Na escadaria do Caminho Novo, encontramo-nos com a Capela da Nª Senhora da Esperança, desafetada ao culto, e espera-nos uma maravilhosa paisagem de Miragaia, outrora Praia de Miragaia, que se estendia desta porta Nobre (demolida para a construção do edifício da Alfandega), até Monchique, era conhecida como a "Praia do Mosqueiro”. Nas famosas arcadas, recordamos que foi neste areal, que foi montada a ponte Pensil, terminada em 1843, para comemorar o aniversário da coroação de D. Maria II, substituindo a ponte das barcas.

 

Chegamos à Igreja de S. Pedro de Miragaia, onde nos esperava o Sr. Graciano, para nos guiar na visita. Esta igreja está associada à vinda de um grupo de refugiados arménios, no século XV, que, fugindo dos turcos, trouxeram consigo as relíquias de S. Pantaleão, um médico, mártir no século IV. As relíquias são depositadas num cofre de prata lavrada oferecido por D. Manuel I, de acordo com as disposições do seu antecessor e primo D. João II.

 

Em 1499, as relíquias, foram transferidas para a Sé do Porto por ordem do bispo de então, D. Diogo de Sousa. A atual igreja, substituiu parcialmente o antigo templo, em 1740. No seu exterior vemos o emblema papal de Pedro I. A simplicidade do interior da nave e do transepto saliente, contrasta com a riqueza iconográfica da capela-mor, onde há misturas de talhas, desde bar­roca, do século XVII, com parte rococó, vinda do Convento de Monchique, no século XVIII. Também visível a inovação do fuste das colunas caneladas e revestidas por fitas, festões. O teto, imitando abóbada geométrica.

 

Acompanhados pelo Senhor Graciano, visitamos o Museu/Sala de sessões da antiga Confraria do Espirito Santo, destacando-se o tríptico que pertencia à capela do Espírito Santo, representando ao centro, o ministério ligado Pentecostes, São João Baptista e o doador, à esquerda, e São Paulo, à direita, do  pintor flamengo Van Onley.

 

Depois desta maravilhosa visita, rumamos em direção às Escadas das Virtudes, ainda passamos, não sem antes passar por um nicho encaixado no centro de um edifício, cuja única bica é apresentada por um suposto golfinho, que por ter uma forma não muito percetível, os populares designaram de "bicho".

Foi uma tarde maravilhosa, onde a paixão pela História, e pelo Porto, da nossa querida guia Dr.ª Maria José Ferreira, a quem a AMUT muito agradece, encantou todos os participantes.

 

O próximo encontro AMUT’Caminhando – Porto de História realiza-se no dia 4 de Junho de 2016.