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Área Reservada
Caminhando

VIII Trilho da Benfeita

Pouco passava das 6h30 da manhã quando os 68 AMUT’eiros partiram rumo à freguesia da Benfeira, concelho de Arganil. Muitos ainda um pouco ensonados aproveitaram a viagem de mais de 2 horas para terminar a noite, outros foram mirando a paisagem, o nascer do dia, o nevoeiro, os raios de Sol…

Ao chegar à Benfeita, o Senhor Presidente da Junta de Freguesia, Senhor Alfredo Martins aguardava-nos, tudo estava pronto para a nossa chegada.

Após termos tomado um ótimo pequeno-almoço, despertador e energético, o Sr Alfredo informou-nos que o Senhor Garcia nos iria acompanhar numa viatura de apoio ao longo de todo o percurso para o que fosse necessário.

Pelas 10 horas iniciamos a nossa caminhada pelo Caminho do Xisto. Em fila indiana,prosseguimos por um trilho com pouco mais de meio metro de largura e mais de 2 metros de altura, junto a campos outrora lavrados e hoje ao abandono. Encontramos um casal que, aquela hora já regressava da labuta após ter procedido à rega das suas hortaliças e ter alimentado os animais. A extensão da fila de AMUTt’eiros era tão grande que ganharam coragem para se lamentar: “Há tanto para fazer e tão poucos que queiram trabalhar! Ainda há tão poucos anos todos estes campos estavam lavrados, era lindo de se ver. Agora, mesmo a pagar não encontramos quem queira trabalhar…” Embora ditas com um sorriso nos lábios, notamos a tristeza no olhar deste casal que sente diariamente a desertificação da sua terra.

Seguimos e o trilho foi ficando cada vez mais belo e mais difícil de percorrer, com os seus muros construídos pela mão de Homem em camadas de pedras de xisto, formando ondas geológicas de tonalidades acastanhadas. As escadas formadas por pedras maiores que permitiam alcançar os patamares mais elevados da Serra do Açor avistando-se a vegetação luxuriante e as poucas aldeias, minúsculas, com as suas casas de paredes brancas e outras parecendo surgir da terra, todas de xisto.

Pouco antes de almoço encontramos uma linda cascata e, caminhando um pouco mais, descemos junto à Fraga da Pena, uma queda de água majestosa, aos pés da qual muitos aproveitaram para refrescar os pés.

A Comissão de melhoramento de Pardieiros aguardavam a maioria dos caminheiros, tendo servido um fantástico almoço que a todos deixou satisfeito pela qualidade e pelo convívio. Alguns optaram por pic-nicar junto à Fraga da Pena ao som da água a cair.

Retomamos o caminho para percorrer os últimos 2,5km que faltavam para completar o nosso trilho deste dia.

A meio deste percurso encontramos uma comunidade inglesa de várias famílias que abandonaram o seu país para escolher viver em Portugal e que se encontravam a reconstruir, em conjunto, uma casa de xisto, utilizando os métodos mais naturais e tradicionais conhecidos.

Num lugar onde começamos o dia com a tristeza dos residentes portuguesas por assistir à desertificação da sua aldeia, não deixou de nos surpreender encontrar mais de duas dezenas de ingleses, dos 2 aos 50 anos a escolherem o nosso país para viver nos locais que os portugueses abandonam.

Seguimos, sempre a descer e fomos novamente surpreendidos com uns animais que apenas se costumam ver em filmes: Alpacas de diversas cores e tamanhos. Continuamos a caminhar até chegar de regresso à aldeia da Benfeita, após 12km de caminho de uma beleza de tirar o fôlego.

A AMUT agradece o carinho e cuidado do Senhor Presidente da Junta de Freguesia, Sr. Alfredo Martins, do Sr. Garcia e de todos os Benfeitenses que nos receberam os AMUT’eiros com muito carinho e alegria.

Bem hajam!