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Caminhando

V - Caminhos de Santiago IV e V

Nos passados dias 12 e 13 de Julho os AMUT’eiros voltaram para o Caminho de Santiago para completar as últimas duas etapas que os levariam à fronteira portuguesa em Caminha.

Ainda não eram 6h30, e os participantes na aventura do fim-de-semana já estavam a postos para seguirem para um dia que já se avizinhava bem quente. Todos à exceção das 2 habituais retardatárias que, por pouco não ficaram em terra.

Pouco faltava para as 8h da manhã quando descemos do autocarro para tomar o pequeno-almoço energizador. Às 8h30 tiramos a já tradicional foto de grupo frente à igreja Matriz de Esposende e iniciamos o Caminho de cerca de 28km que nos levaria até Viana do Castelo.

Passamos pelo estuário do Rio Cávado, junto ao Farol antigo e orientamos então os nossos passos para os campos das Marinhas, seguindo em Direção à histórica Estrada Real por onde se sabe seguem os peregrinos há já muitos séculos. Encontramos a freguesia de Belinho, orientando-nos então para um percurso florestal magnífico onde a sombra da vegetação foi sentida por todos como um belo presente. Mais belo presente foi chegar as azenhas de Castelo de Neiva e refrescar os nossos pés nas águas maravilhosamente gélidas, que refrescam até a alma!

Começou então a maior subida da etapa que nos levaria até ao momento do almoço, junto da igreja de Santiago em Castelo de Neiva, a mais antiga igreja que se conheça, fora do território espanhol, dedicada ao Apóstolo.

O almoço pic-nic foi um manjar dos Deuses, sobretudo porque foi à sombrinha de uma árvores gigantes que nos protegiam, não deixando de nos permitir encantarmo-nos com a esplendorosa vista sobre o mar e todo o Vale até Ofir.

Após esta breve paragem, retomamos o Caminho pela floresta, ainda um pouco a subir. Alguns participantes estavam a precisar de um café para ganhar fôlego e isso pediram a Santiago que rapidamente concedeu o desejo. Na casa da D. Maria de Lurdes e do Sr. António, o pedido da Senhora Vereadora Dr.ª Sandra Brandão, Peregrina AMUT’eira, foi atendido, para ela e quem a acompanhava. Ainda podemos encher as garrafas de água e levar umas belas ameixas roxas bem madurinhas. Muito obrigada a este gentil casal que nos abriu as suas portas, seguirão com certeza no coração dos peregrinos que os conheceram.

Um pouco mais à frente fomos mais uma vez presenteados, desta vez com umas deliciosas e ainda mornas rabanadas, oferecidas gentilmente pela D. Fátima, que nos deram um ânimo redobrado para continuar até ao nosso destino.

O dia terminou no Albergue de Peregrinos São João da Cruz dos Caminhos, no Convento do Carmo, logo a seguir à ponte centenária de Viana do Castelo. Após um jantar em conjunto no Restaurante Scala, na Praia Norte, todos, ou quase, foram finalmente descansar para no dia seguinte estarem prontos, às 7h, para tomar o pequeno almoço na Leitaria do Carmo, que com um gigantesco leitreiro informa que se trata da pastelaria com os melhores Jesuítas do Mundo.

Se são os melhores do Mundo ou não, não sabemos mas que estavam maravilhosamente deliciosos e ainda mornos estavam!

Já prontinhos para partir, tiramos a fotografia de grupo da Praxe e seguimos Caminho para Caminha. Ainda antes do segundo kilómetro, cerca de uma dezena de AMUT’eiros, ou por estarem altamente envolvidos nas suas conversas ou por ainda o café não ter feito o efeito desejado, perderam o rasto dos companheiros de viagem. Mas, foi por pouco tempo, logo logo foram resgatados e regressaram ao Caminho das setas amarelas.

A etapa que liga Viana do Castelo a Caminha é, sem sombra de dúvida, a mais bela do Caminho da Costa, passando por campos, florestas, estradas romanas, povoamentos celtas, caminhos de gentes e caminhos de rebanhos, pontes antigas, moinhos, águas cristalinas e refrescantes, com o oceano Atlântico sempre no horizonte… um percurso mágico, de uma beleza natural extraordinária que quase permitiu que os peregrinos esquecessem a sua extensão de cerca de 30 km. Apesar do Sol abrasador, tivemos a companhia, ao longo de todo o dia do ora de uma brisa, ora de um vento quase gélido, que também ajudou a que o percurso parecesse menor que no dia anterior.

Os peregrinos pararam em Vila Praia de Âncora para almoçar e seguir então pela beira-mar até alcançar Caminha onde puderam se refrescar e divertir um pouco, pelo menos os primeiros a chegar, na Festa da Cerveja Artesanal que estava a decorrer no Centro Histórico desta bela terra.

Foram dois dias de muita partilha, inter-ajuda, alegria, algumas dores que rapidamente se esquecem ao lembrar os sorrisos, as gargalhadas e a capacidade de superação de cada um.

Um fim-de-semana inesquecível que terá continuidade no dia 10 de Agosto quando partirem os 40 AMUT’eiros a Caminho de Santiago.